O primeiro passo para viver em outro país

Vamos viver em outro país.

E agora?
E o nosso filho?
Será que ele irá se adaptar?
Acredito que essa seja a preocupação que mais nos consome como mães, como será essa mudança e como seria a adaptação de uma criança de apenas 5 anos?

A primeira coisa que pensei: como explicar que não levaríamos a maioria dos seus brinquedos, que seu quarto personalizado do jeitinho que ele sempre quis – ele chamava de “casa da árvore” – ficaria para trás, que ele não brincaria mais com seus amiguinhos do seu condomínio, nem da escola que estudou desde os seus sete meses de vida. Dá para imaginar o sentimento de como seria administrar esse primeiro passo?

Então veio a ideia de conscientiza-lo a fazer o bem. Como? Mostramos a importância de compartilhar seus brinquedos com outras crianças e que essa atitude as deixariam muito felizes. Ufa! Deu certo.
E a sua “casa da árvore”?

Apresentamos a nova moradora, agora uma menina encantadora, mais nova que ele e que recebia uma grande missão: cuidar do quarto que ele tanto amava. Missão cumprida! Ele aceitou e ficou muito feliz com a ideia.

Começamos a colocar alguns vídeos da cidade de Dublin, para fomentar na cabecinha dele o quanto poderia ser divertido viver naquele novo lar, quem sabe conhecer outras ‘casas de frio’ – viajamos algumas vezes para uma cidade muito aconchegante perto do Rio de Janeiro que se chamava Araras, sempre em épocas do ano com baixa temperatura, algo em torno de 5 graus. Ele realmente amava aquele lugar -, visitar castelos bem parecidos com o do Harry Poter, Mike o Cavaleiro, além de participar de festas culturais como o Halloween e a incrível Saint Patrick’s Day.

Foram muitas conversas que tivemos para que naquele mundinho só dele, pudesse ser entendido de uma forma lúdica e leve o que o esperava pela frente. Pedimos aos amigos, parentes para nos ajudassem, que na frente dele se mantivessem firmes e felizes para que ele não entendesse como um Adeus nem como uma despedida definitiva e assim foi feito com sucesso! Outra coisa que achamos muito importante e que faria toda diferença para ele que vivia no Rio de Janeiro – 40 graus -, era mudarmos para Europa no verão, onde os dias seriam mais longos e com temperaturas mais amigáveis, assim ele se acostumaria aos poucos com o clima mais frio. Para quem não conhece, Dublin no inverno realmente testa todos os seus limites, possui um clima que não está para brincadeira.

Hora de entrar no avião, então aquele friozinho – enorme – na barriga. Até o momento para ele tudo era festa e brincadeira, sempre gostou de viajar com a família. Como toda criança, perguntou diversas (muuuitas) vezes: – Tá chegando?

Chegamos!! Ainda no aeroporto, quando ele percebeu toda aquela diversidade de idiomas, diálogos tão rápidos quanto os filmes de ação. Então ele disse com aquele olhar assustado: – Eu não entendo nada que essas pessoas falam. O que eles estão falando mamãe?

Medo! Eu e meu marido respiramos, nos olhamos sem falar nada e abraçamos ele para que pudesse encontrar a segurança que estava acostumado a sentir. Foi então que percebemos que a “segunda fase” chegou. Apesar de termos conversado com ele antes da viagem por meses sobre isso, entendemos que precisaríamos prepara-lo ainda mais para essa grande barreira: Entender e ser entendido sem a nossa presença.

Começamos com um: Daqui a pouco você vai entender tudo o que eles dizem meu amor, tenha calma, a mamãe e o papai estão aqui com você.
E todo aquele filme passou na minha cabeça, tudo o que abdicamos para estar ali. Sabíamos que para dar certo só dependeria de como nós iríamos administrar essa nova jornada, juntos. 😉

Foto: Theme.co

Co-Fundadora e Ceo do Europamos. Mãe do Pedro, Carioca que fala "bixcoito" e portuguesa com muito orgulho. Publicitária, Pós Graduada em Gestão Empresarial e apaixonada em viajar, tem como meta dar a volta ao mundo. Mas por hora, encara o maior desafio da sua vida junto com a sua família na Irlanda.