Uma carioca no inverno europeu

Quem nunca se imaginou fazendo parte daqueles filmes americanos com pessoas lindas e felizes brincando na neve, casacos belíssimos passeando pelas ruas de Nova Iorque, e aquela “fumacinha saindo da boca” quando conversamos?

Ah!  Que sensação boa. Como seria bom fazer parte desse cenário e vivendo novas experiências num lugar encantador, com temperaturas baixas e agradáveis.

E não é que o meu sonho se tornou realidade? Não, eu não me tornei uma atriz de Hollywood [ainda não foi desta vez – 🙂 ] nem mesmo me mudei para Nova Iorque como eu desejei um dia, mas hoje vivo com a minha família num país belíssimo, repleto de cores que possui um clima totalmente diferente daquele que eu estava acostumada, deixei pra trás aquele calor infernal do Rio de Janeiro e agora estou na Irlanda, um lugar que possui temperaturas baixíssimas em grande parte do ano, com uma pitada chuva e ventos fortes que reduzem consideravelmente a sensação térmica. Ui.

 

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Reprodução Google

Confesso que eu e meu marido ficamos bem apreensivos quando estávamos estudando sobre o clima de Dublin, já tínhamos lido sobre as baixas temperaturas e fortes ventos, mas quando descobrimos que além disso chovia na maior parte do ano [aproximadamente 200 dias], nos olhamos por alguns segundos e inevitavelmente marcamos esse pequeno “detalhe” como ponto negativo. Pois é, eis a dúvida: Será que meu filho, um carioquinha da gema, acostumado com altas temperaturas, short, camiseta além de constantes banhos de mar e piscina, iria se adaptar e chamar um casaco de “seu”?

Sofrendo por antecedência

Até chegarmos aqui eu não parava de pensar no assunto, temia muito que depois de todo o planejamento e esforço que tivemos para tornar o nosso sonho de viver fora do país realidade fosse por água abaixo, pois o nosso filho não conseguiu se adaptar. Eu podia até imaginar o meu pequeno falando: – Mãe, tá muito frio, quero voltar pra casa – O coração de mãe sofrendo por antecipação como sempre.

Pois bem, como já falei nos primeiros posts, fizemos um planejamento para que a mudança acontecesse em pleno verão, assim não sentiríamos um impacto tão forte no começo em relação ao clima por não estarmos acostumados com temperaturas tão baixas.

O Verão

No meu primeiro verão na Irlanda, eu passei na companhia dos meus casacos, o que me deixava muito nervosa, pois, se no verão eu já estou encasacada até a alma, como seria no… não queria nem falar o nome.

O verão passou e deixou saudade, o outono também passou e deixou mais saudade ainda, mas, finalmente quando o inverno bateu a nossa porta…




O Inverno bate a sua porta

The winter is coming! Se tinha uma coisa que me deixava mais angustiada que escutar esta frase, era encontrar o meu vizinho que morava ao lado da nossa casa, um Irlandês bem reservado mas muito simpático [casado com uma queridíssima Polonesa que hoje é uma grande amiga], trajando uma camiseta sem manga e uma calça comum, sem nenhuma proteção térmica. Não dava para acreditar nisso, enquanto ele tranquilo e sereno tomava um “arzinho” com aquele traje tropical, eu estava com um casaco em cima do outro, luvas, gorro e cachecol. Não é possível que os nossos vizinhos não estavam sentindo aquela baforada do urso polar que vinha direto na fuça.

Certo dia, percebi que enquanto os meus lábios estavam roxos, com vida própria e não paravam de tremer, aquele Irlandês estava com um semblante de quem estava relaxando naquele “calorzinho de Dezembro no Rio de Janeiro”. Eu sendo simpática disse: – Hoje o tempo está frio não? – Sorrindo como se estivesse com pena dos brasileiros, balançada negativamente a cabeça e falava o que eu não o queria ouvir: – Não está frio, o inverno ainda não chegou [sabe de nada inocente] – foi então que imediatamente me veio à cabeça a bossa e a fossa na voz marcante de Maysa: “Meu mundo caiu”.

Fiquei pensando no que mais eu poderia vestir para me proteger da ira da malvada Elza irlandesa – Ainda não? Jura? – perguntei.

 

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Reprodução Google

A adaptação no inverno

Apesar dos dias ficarem mais frios a cada manhã, o nosso pequeno se adaptou muito bem, ele ás vezes até reclama do calor quando ligamos o aquecedor em casa mesmo com a sensação térmica negativa, posso dizer que ele se apaixonou pelo frio, adora a neve e até mesmo pelo vento forte, incrível como as crianças sempre descobrem um jeito de se divertir.

Depois de muito sofrer eu percebi que estava passando frio por não possuir roupas adequadas, confesso que fiquei um pouco perdida e não sabia exatamente o que comprar quando chegamos, mas eu consegui resolver isso antes de enlouquecer, por sorte temos muitas opções de vestuário para o frio extremo aqui em Dublin e com preços realmente justos.

Já com as roupas adequadas, aprendi a me defender da dor que o frio me causava e comecei a entender melhor esse novo “ar”, entendi que apesar de não estar acostumada com esse clima eu conseguiria perfeitamente ser feliz aqui, ganhando de presente novas paisagens a cada mudança de estação.

 

Co-Fundadora e Ceo do Europamos. Mãe do Pedro, Carioca que fala "bixcoito" e portuguesa com muito orgulho. Publicitária, Pós Graduada em Gestão Empresarial e apaixonada em viajar, tem como meta dar a volta ao mundo. Mas por hora, encara o maior desafio da sua vida junto com a sua família na Irlanda.

  • Heliane Rosa Amaral

    Olá Roberta, meu nome é Heliane e assim como você sou mãe de uma menina, Gabriela têm 4 anos. Vamos para Dublin em julho, e confesso…estou super insegura com relação ao clima, pois moramos em Vitória / ES, é verão o ano todo por aqui. Mas pelos seus relatos, seu filho não fica muito doentinho né!! quando você foi para Dublin vc levou uma farmacinha? é fácil comprar remédios por aí?

    • Oi Heliane,
      Obrigado por acompanhar o Europamos.
      Que bom saber que teremos mais brasileiros por aqui. 😉

      Sobre sua pergunta, posso dizer que todas as alergias que meu filho tinha, sumiram. O clima aqui ajudou bastante.
      No primeiro inverno pode ser que vocês sintam um pouco mais essa mudança, mas nos próximos serão mais tranquilos. Não se preocupem.
      Sobre a farmacinha, sim, inclusive acredito que seja fundamental nesse início, pois aqui existe uma grande maioria de medicamentos que precisam de receitas. Aconselho, que tragam os que estão acostumados, até entenderem melhor o sistema de saúde.

      See ya!