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O primeiro dia de aula do meu filho na Europa

Ficamos praticamente um ano planejando a nossa viagem para Europa | Dublin

Já estávamos com todas as questões que deveríamos resolver mapeadas, afinal, para sairmos da nossa zona de conforto e encarar uma nova vida era preciso estarmos certos de que tudo iria correr bem, sem margens para grandes erros. Sinceramente eu não sei como definir o que senti no primeiro dia de escola do nosso pequeno.

Tivemos um cuidado todo especial com essa questão, pois o Pedro já estava acostumado com a sua escola no Brasil, desde os seis meses de idade, estava familiarizado com a nossa rotina semanal, tinha a confiança de ser entregue na escola todas as manhãs, recebia muito carinho dos funcionários, das professoras que ele simplesmente amava e no início da noite, nós estávamos lá, prontos para buscá-lo. Ele sabia disso, e nunca foi diferente: quando a noite caia, o papai e a mamãe estariam lá esperando por ele.

Conversamos muito com o nosso príncipe, explicamos sobre a escola, sobre as pessoas que não falavam e não entendiam o português. Ensinamos por muitos dias como ele deveria pedir água, comida e ir ao banheiro. Sabemos que uma criança de cinco anos já consegue ir ao banheiro sozinho, mas é preciso supervisão e muito carinho dos profissionais responsáveis.
Enquanto esse bendito dia não chegava, o nosso pequeno sempre confiante estava “escolado” com o seu inglês, se divertia pedindo água e avisando que precisava fazer pipi no banheiro. O Pedro sempre foi muito esforçado e sagaz, mas o coração da mamãe ainda inquieto, não parava de pensar em como seria esse primeiro dia.

Chegou a hora de dizer tchau e virar as costas, mantendo um semblante de confiança para que o Pedro pudesse ir tranquilo, me senti uma verdadeira atriz. Neste momento fui invadida por uma tempestade de emoções, estava nervosa, minhas mãos estavam suadas mesmo com a baixa temperatura daquele dia e estava louca para ir junto com ele, ficar ali bem pertinho pois se ele precisasse de algo, eu estaria lá.

Nós já tínhamos lido muito sobre essa questão e sabíamos que a nossa adaptação seria a mais difícil. Isso é muito verdade. Como foi doido para mim ver o meu bebê ali, no canto da sala sem falar inglês, sem entender nenhuma palavra dos seus novos amigos. Como ele poderia brincar se ele não consegue se comunicar?

No Brasil a escola que ele estudava era bem acolhedora, uma casa perto da praia, que foi transformada em creche-escola. Pedro era o aluno mais antigo e já se sentia muito confortável, pois a sua turma era a dos mais “velhos”. Tudo lá era colorido, muito verde, piscina e com o clima do Rio de Janeiro, eram obrigados a vestir o uniforme número 1. Uma leve camisa de algodão com uma bermudinha. No verão o banho de mangueira estava entre as atividades que ele mais gostava.

Agora a estrutura era outra, me arrisco a dizer que esse novo espaço tem 10 vezes o tamanho da escola antiga com uma progressão geométrica no número de alunos, isso assusta um pouco, garotos bemmm maiores que ele correndo de lá pra cá sem falar naquela caixa cinza, uma fachada diferente do que estava acostumado, dessa vez os bichinhos coloridos que estampavam os muros da escola que ele tanto gostava não estavam lá.
Lembro que antes de deixá-lo na porta da sala, ele me disse: – mãe, está tudo bem. Eu vou ficar bem.

Até a primeira hora, vi pela janela – sim, eu não aguentei – que ele não parecia bem e tentava prender o choro. Eu não podia escutá-lo mas sentia que ele estava assustado. Sua nova professora conversava com ele – em inglês – mas não adiantava muito e eu podia ler os seus lábios: – chama a minha mãe por favor. Foi então que uma das assistentes olhou para o meu marido que estava ao meu lado e fez um sinal positivo com a cabeça. Meu marido rapidamente entrou na sala de aula, deu um abraço nele e disse: – filho, você sabe que não podemos ficar aqui, nós estaremos lá fora conforme prometemos pra você – não precisa ter medo – se você não entender o que eles dizem, observe e tente fazer igual – se você quiser.

Decidimos nos afastar um pouco da escola, depois de caminhar um pouco nos olhamos: o que faremos agora?

Coração acelerado cada vez mais, a hora não passava, me veio rapidamente uma tática como se eu estivesse num filme, entraria correndo com uma máscara ninja, pegaria ele em meus braços e terminaria dizendo: Estou aqui para te levar para casa meu príncipe, meu marido me acalmava dizendo que tudo ficaria bem.

Ficamos sabendo depois pelas professoras que após a primeira hora, nosso pequeno entrou no clima Irish, parecia outra criança: corria, ria, brincava e até se arriscava a responder perguntas dos seus novos amigos, sempre em português.

Ao final da aula, nós estávamos lá. Foram muitas histórias, contou sobre cada amigo que conheceu, do momento do lanchinho, da fofa da Miss Ryan e até me perguntou se podia voltar todos os dias. Foi uma surpresa tão grande e maravilhosa para nós, vê-lo interagindo com crianças de várias nacionalidades, com toda inocência, compartilhando suas experiências, seu lanchinho e brinquedos.

Não podemos subestimar o poder de integração e adaptação que as crianças possuem. Toda a minha preparação para esse dia quase foi comprometida pela minha emoção. Não há segredos ou táticas para superar esse desafio, passe segurança para o seu filho, deixe-o viver novas experiências e acredite, ele vai tirar de letra.

Foto: hdwallpapers.com

Co-Fundadora e Ceo do Europamos. Mãe do Pedro, Carioca que fala "bixcoito" e portuguesa com muito orgulho. Publicitária, Pós Graduada em Gestão Empresarial e apaixonada em viajar, tem como meta dar a volta ao mundo. Mas por hora, encara o maior desafio da sua vida junto com a sua família na Irlanda.