Eles largaram tudo no Brasil para viver e trabalhar no Canadá

Neste Dia das Mães, a internet será a principal aliada para aplacar a saudade da família para brasileiros que largaram tudo no Brasil para começar do zero a vida profissional no Canadá

“Será o primeiro Dia das Mães morando em outro país. Vamos ter que utilizar a internet para mandar um beijo para elas”, diz a engenheira civil paulistana Raquel Alves. Desde setembro do ano passado, ela o marido, o analista de sistemas Alexandre Alves, estão morando em Toronto.

A crise e a insegurança no Brasil deram ensejo à mudança radical. “Planejamos por quase um ano. Vendemos carro, alugamos nosso apto e vendemos todos os móveis”, conta Raquel, que fará um curso no setor de construção com duração de 2 anos, enquanto o marido, Alexandre, procura emprego.

O mesmo movimento migratório fez outro engenheiro civil, Vinicius de Lorenzi Marques. Há sete meses morando também em Toronto, Marques vai falar com sua mãe hoje pelo Skype e pretende mandar um presente pelo correio.

Como Raquel, Marques também optou pela inscrição em um curso de formação e planejou a emigração do Brasil durante o ano. Em setembro deste ano, começa a estudar para ser técnico em energias renováveis. Espera conseguir trabalho em Toronto ou em outra cidade do país. “Minha pretensão é de seguir na área de engenharia civil”, diz.

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Foto: http://trekmovie.com/

Formação local aumenta a empregabilidade

Conquistar um diploma em solo canadense abre as portas para o mercado de trabalho do país, segundo Rosa Maria Troes, presidente da Canadá Intercâmbio. “A qualificação local faz muita diferença na hora de arrumar emprego”, diz ela.

A procura por cursos de longa duração no Canadá aumentou 200% na sua agência, desde, segundo ela, a reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Tenho visto muitas pessoas decididas a ir embora do Brasil”, diz.

Domínio do inglês – comprovado por exames como TOEFL ou IELTS – é fundamental para quem quer fazer um curso em alguma instituição das províncias de língua inglesa (vale lembrar que no país há uma província, o Québec em que a língua oficial é o francês).

Nas regiões anglófonas, um curso preparatório, chamado de Pathway, é oferecido pelas escolas para que os estrangeiros melhorem seu nível de proficiência em inglês entendam como funciona o sistema de ensino. “É bem diferente do Brasil. Trabalhos em grupo e a participação contam 70% da nota. Provas compõem só 30% da nota”, explica Rosa.

Carreiras consolidadas no Brasil

Segundo Rosa, grande parte dos clientes da Canadá Intercâmbio que estão deixando o Brasil não o fazem porque estão desempregados. Tanto Raquel e seu marido como Marques tinham carreiras consolidadas por aqui.

“Foi um desafio grandioso. Estávamos estabilizados em nossas profissões e trocamos por um mercado que não conhecemos e que não sabemos como vai nos receber. Dá um aperto no coração largar tudo”, diz Raquel.

Para Marques também não foi fácil deixar para trás da carreira no Brasil. “Recebia novas propostas de emprego e continuidade dos negócios vindos do Brasil, mas a vontade de iniciar uma nova vida ainda mais promissora no Canadá foi maior”, diz o engenheiro.

Para os três brasileiros, a mudança ainda é uma grande aposta. Mas as chances de dar certo são grandes. Áreas ligadas a tecnologia, engenharia e saúde têm boas perspectivas de trabalho.

Para se ter uma ideia, apenas a região de Quebéc vai precisar de 11 mil profissionais de construção civil até o fim deste ano. A mesma província tem previsão de criação de 49 mil vagas no setor de tecnologia da informação e comunicações.

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Foto: Reprodução Google

O melhor e o pior da mudança, segundo os brasileiros

Ver a concretização dos planos traçados há tanto tempo tem adoçado a nova vida segundo Raquel. “O mais legal da mudança é conseguir atingir as metas”, diz. Já as dificuldades com o idioma têm um gosto mais amargo.

“No Canadá além de não falarmos em inglês com a mesma fluência que o Português, há a dificuldade de entender os sotaques de diferentes países. Isso dificulta muito a comunicação”, diz a imigrante. O país é reconhecidamente aberto aos estrangeiros que desejam estabelecer residência fixa ou temporária por lá, por isso, naturalmente, há uma profusão de sotaques de diferentes partes do mundo.

O contato com esta sociedade diversa é o que mais anima o engenheiro Vinicius. “É uma sociedade maravilhosa que valoriza o respeito, o cumprimento de direitos e deveres e as pessoas”, diz.

O mais difícil, para ele, é o frio intenso no inverno. “Problema este que pode ser resolvido com roupas pesadas especiais comumente vendidas aqui”, diz.

 

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Fonte: Matéria originalmente – Exame.com,  por Camila Pati

Foto de Capa: Reprodução Google

Co-Fundadora e Ceo do Europamos. Mãe do Pedro, Carioca que fala "bixcoito" e portuguesa com muito orgulho. Publicitária, Pós Graduada em Gestão Empresarial e apaixonada em viajar, tem como meta dar a volta ao mundo. Mas por hora, encara o maior desafio da sua vida junto com a sua família na Irlanda.